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Nome da revista:  Revista de Enfermagem Referência IVª Série
Edição:  SÉRIE IV - N.º 12
Data da edição:  2017-03-24
Comentários: 
Editorial:  Melhorar a saúde promovendo a atividade física: Afinal, de quem é essa função?

A Organização Mundial da Saúde (OMS) define atividade física como sendo qualquer movimento corporal produzido pelos músculos esqueléticos que requeira gasto de energia (World Health Organization, 2017). Sabemos que a atividade física é boa para nós e para os nossos doentes. Há fortes evidências de que a atividade física regular reduz o risco de doenças crónicas tais como doença coronária, acidente vascular cerebral e diabetes do tipo II, ajuda a manter um peso corporal saudável, melhora a autoestima e reduz os sintomas de depressão e ansiedade (Department of Health, Social Services and Public Safety, The Scottish Government, Welsh Government, & Department of Health, 2011). Em idosos, a atividade física ajuda a manter a função cognitiva e a capacidade de realizar atividades da vida diária e reduz o risco de quedas (Department of Health, Social Services and Public Safety, The Scottish Government, Welsh Government, & Department of Health, 2011). Em crianças e jovens, a atividade física melhora a saúde óssea, promove a aprendizagem de competências sociais e desenvolve os movimentos e a coordenação (Department of Health, Social Services and Public Safety, The Scottish Government, Welsh Government, & Department of Health, 2011). A atividade física oferece também benefícios amplamente reconhecidos para pessoas com várias doenças físicas e mentais.
A OMS publicou as Global Recommendations on Physical Activity for Health em 2010. Muitas destas recomendações globais sobre atividade física para a saúde foram implementadas ao nível internacional, por exemplo o desenvolvimento e a implementação de diretrizes nacionais para a atividade física e a realização de campanhas nos meios de comunicação social para consciencialização sobre os benefícios da atividade física para a saúde.
Então porque é que a inatividade física é um dos dez principais fatores de risco de morte em todo o mundo e um importante fator de risco para doenças não transmissíveis como doenças cardiovasculares, cancro e diabetes? Por que é que um em cada quatro adultos em todo o mundo não consegue realizar o mínimo recomendado de 150 minutos de atividade física de intensidade moderada por semana? Apesar de as vantagens da atividade física estarem bastante documentadas, há uma infinidade de obstáculos à participação na atividade física a um nível e intensidade suficientes para gerar benefícios para a saúde. Tendo em conta os custos da inatividade física - estimada no Reino Unido apenas como sendo 1,06 mil milhões de libras por ano em custos diretos (National Institute for Health and Care Excellence, 2013) - e os riscos para a saúde associados com a inatividade física, existe a necessidade urgente de estratégias que promovam efetivamente a realização e a manutenção da atividade física.
No Reino Unido, iniciativas tais como a making every contact count (fazer com que cada contacto conte), que apela aos profissionais de saúde para que aproveitem todas as oportunidades para promover os benefícios de um estilo de vida saudável junto dos seus doentes, e o physical activity pledge (compromisso para com a atividade física) dos Allied Health Professions Directors, que visa aumentar os níveis de atividade física na Escócia têm destacado o importante papel que a equipa de saúde pode desempenhar na promoção da atividade física e no incentivo à adoção de comportamentos positivos por parte dos doentes com quem contactam na prática clínica diária. Assim, em resposta à pergunta Afinal, de quem é essa função?, gostaríamos de sugerir que cabe a cada profissional de saúde promover a atividade física. Em alguns sectores da saúde, nomeadamente nos cuidados primários, os enfermeiros e outros profissionais de saúde contactam com grande parte da população, tornando-se assim uma parte importante da força de trabalho em saúde pública, numa posição privilegiada para promover os benefícios da atividade física. Têm sido testados vários métodos para promover a atividade física, incluindo intervenções breves ou muito breves, sinalização para grupos, classes e recursos, intervenções com pedómetros e a utilização crescente de intervenções em saúde.
No entanto, apesar de ser fácil dizer que todos os profissionais de saúde devem promover a atividade física, tal é mais difícil de colocar em prática. Bakhshi, Sun, Murrells e While (2015) verificaram que, numa amostra de 623 enfermeiros, menos de metade promove a atividade física na sua prática clínica, reforçando a necessidade de formação sobre aconselhamento para a realização da atividade física e estratégias de promoção da atividade física (Bakhshi, Sun, Murrells, & While, 2015). Numa revisão sistemática, Huijg et al. (2015) concluíram que os fatores mais suscetíveis de influenciar negativamente a promoção da atividade física nos cuidados primários incluíam a falta de tempo e educação formal, as prioridades concorrentes e as perceções dos profissionais de saúde em relação à falta de motivação dos doentes para serem fisicamente ativos.
A promoção da atividade física é uma área complexa e estimulante e uma prioridade para os educadores e investigadores em saúde e para os governos. No momento em que escrevemos este editorial, a época festiva está próxima e será seguida pelas tradicionais resoluções de ano novo, que para muitos (tanto profissionais de saúde como doentes) incluirá o aumento dos níveis de atividade física. Gostaríamos de apelar a todos os profissionais de saúde para que incluam a promoção da atividade física na sua própria prática e na dos seus colegas, contribuindo assim para esta importante questão de saúde pública.

Referências bibliográficas
Bakhshi, S., Sun, F., Murrells, T., & While, A. (2015). Nurse’ health behaviours and physical activity-related health-promotion practices. British Journal of Community Nursing, 20(6), 289-296. doi: 10.12968/bjcn.2015.20.6.289
Department of Health, Social Services and Public Safety, The Scottish Government, Welsh Government, & Department of Health. (2011). UK physical activity guidelines: Adults (19-64 years) (Fact sheet 4). Recuperado de https://www.gov.uk/government/uploads/system/uploads/attachment_data/file/213740/dh_128145.pdf
Department of Health, Social Services and Public Safety, The Scottish Government, Welsh Government, & Department of Health. (2011). UK physical activity guidelines: Older adults (65+ years) (Fact Sheet 5). Recuperado de https://www.gov.uk/government/uploads/system/uploads/attachment_data/file/213741/dh_128146.pdf
Department of Health, Social Services and Public Safety, The Scottish Government, Welsh Government, & Department of Health. (2011). UK physical activity guidelines: Children and young people (5-18 years) (Fact sheet 3). Recuperado de
https://www.gov.uk/government/uploads/system/uploads/attachment_data/file/213739/dh_128144.pdf
Huijg, J. M., Gebhardt, W. A., Verheijden, M. W., van der Zouwe, N., de Vries, J. D., Middlekoop, B. J., & Crone, M. R. (2015). Factors influencing health care professionals’ physical activity promotion behaviours: A systematic review. International Journal of Behavioral Medicine, 22(1), 32-50. doi: 10.1007/s12529-014-9398-2
National Institute for Health and Care Excellence. (2013). Physical activity: Local government briefing. Recuperado de www.nice.org.uk/guidance/lgb3
World Health Organization. (2017). Physical activity. Recuperado de http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs385/en/
A Dra. Kay Cooper é Leitora de Saúde e Bem-Estar na Escola de Ciências da Saúde, Universidade Robert Gordon, Aberdeen, Escócia, e Diretora do Scottish Centre for Evidence-based, Multi-professional practice: A Joanna Briggs Institute Centre of Excellence.

A Dra. Pamela Kirkpatrick é a Líder Académica para o Empreendedorismo na Escola de Enfermagem e Obstetrícia, Universidade Robert Gordon, Aberdeen, Escócia, e Vice-Diretora do Scottish Centre for Evidence-based, Multi-professional practice: A Joanna Briggs Institute Centre of Excellence.


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Secção Artigo de Investigação
Total: 13 registo(s)
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Mapeamento e definição de termos registados por enfermeiros de um hospital especializado em emergência e trauma
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Processos desenvolvidos por gestores de enfermagem face ao erro
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Qualidade de vida da pessoa com esclerose múltipla e dos seus cuidadores
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Qualidade de vida de crianças com doença renal
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Stresse em serviço de urgência e os desafios para enfermeiros brasileiros e portugueses
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Validação de uma Escala de Satisfação dos Enfermeiros com o Trabalho para a população portuguesa
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Validação para a população portuguesa da Escala de Observação de Competências Precoces na Alimentação Oral
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Secção Artigo de Revisão/Artigos Teóricos-Ensaios
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Aprendizagem e desenvolvimento em contexto de prática simulada
José Carlos Amado Martins*
Estratégias de autogestão da ansiedade nos sobreviventes de cancro: revisão sistemática da literatura
Nuno Miguel dos Santos Martins Peixoto*; Tiago André dos Santos Martins Peixoto**; Cândida Assunção Santos Pinto***; Célia Samarina Vilaça de Brito Santos****

Secção Unidade de Investigação
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